Identificação e descrição
Nome do parque/jardim Mata-Jardim José do Canto
Região Açores
Distrito S. Miguel - Açores
Concelho Povoação
Freguesia Furnas
Data de criação XIX / XX
Tipo de proprietários Proprietário privado
Informação de contacto Margem Sul da Lagoa das Furnas9675-090 Furnas, PovoaçãoTlm: +351 968 039 165 / +351 914 460 159E-mail: matajosedocanto@gmail.com
Página web: http://www.matajosedocanto.com/
Localização Coordenadas: 37°45'01.0"N, 25°19'57.4"W
Latitude: 37.7502888888889
Longitude: -25.3325972222222

Abstract

On the Furnas Lake’s south bank (a crater lake), there is an arboretum with secular trees from the five continents, and a neo-Gothic chapel which was the last home of the garden's founder: José do Canto (1812-1898) and his wife Maria Guilhermina (1826-1887). This landscape garden remains in the family and has been open to the public since the 21st century. Its layout is combined with a French formal garden and alley designed by Barillet-Deschamps and Georges Aumont. Between avenues with Camellia borders, the visitor will find the "Fern valley" and the path that leads to the "Salto do Rosal waterfall".

História

As primeiras plantações da mata remontam ao século XIX, quando José do Canto reúne cerca de 600ha de terra em redor da Lagoa das Furnas. A partir de 1852 José do Canto vai reflorestar várias encostas não arborizadas nas suas propriedades plantando milhares de árvores por ano, incluindo Cryptomeria japonica, Cupressus macrocarpa, Jacaranda acutifolia, Juniperus bermudiana, Musa ensete, Pinus pinaster, Ulmus glabra e muitos tipos de acácias, araucárias, abetos, carvalhos, thuyas, Dracaena sp., Pandanus sp. e Yucca sp.. Em 1864 inicia um grande projecto, chamando o arquitecto londrino Mathew Digby Wyatt para a construção de uma “mansão” no lado poente da estrada, que não se chegaria a construir. De Paris contrata dois arquitectos – A. A. Breton e A. Bonett - para desenhar a capela de Nossa Senhora das Vitórias no seu estilo revivalista românico-gótico e o paisagista Barilett Deschamps, que desenha o plano geral da propriedade, sendo mais tarde desenvolvido pelo seu colaborador George Aumont. De Paris veio também o técnico director dos trabalhos Lainé encarregue dos traçados, perfis do parque e plantações. Durante vários anos, jardineiros (na maioria ingleses) executaram o projecto e as plantações, recorrendo por vezes a sementes e plantas em viveiro no seu Jardim de Santana, em Ponta Delgada. Até ao final da vida de José do Canto, em 1898, a Mata-Jardim esteve em construção apesar da capela ter ficado concluída em 1885. Após um longo processo de partilhas, a propriedade foi dividida, mas parte foi mantida por Ernesto Hintze Ribeiro que durante a década de 50 construíu uma réplica do Vale dos Fetos que havia sido destruído (Castel-Branco, 2014; Albergaria, 2005).

Envolvente do jardim

A Mata-Jardim José do Canto situa-se na margem Sul da Lagoa das Furnas, rodeando a ermida de Nossa Senhora das Vitórias e os dois edifícios situados junto à margem da Lagoa: um cottage anglo-flamengo que era designado por "pavilhão de navegação" que é hoje a Casa dos Barcos (turismo rural), e um challet franco-suisso que era designado por "pavilhão da pesca", actual Casa da Lagoa, igualmente convertida para Turismo Rural (Mata José do Canto, n.d.).

Descrição do jardim

A Mata-Jardim José do Canto é a maior propriedade na Lagoa das Furnas, desde a margem Sul da Lagoa, entrando na montanha até ao limite da ribeira do Salto do Rosal. É densamente florestada, sendo que, na parte junto à Lagoa, localiza-se a mata ajardinada do séc. XIX, com arruamentos em curvas largas, interceptadas em amplos largos que conduzem a pontos de interesse. Outros caminhos percorrem a base das montanhas entre a mata densa de criptomérias, acompanhando o curso da ribeira do Salto do Rosal até ao extremo do salto. A zona entre a margem da Lagoa e a rua engloba um grande pomar de macieiras e alamedas de camélias com uma colecção de cultivares antigas, muitas trazidas do Jardim de Santana. Um passeio ajardinado leva-nos até à capela, mausoléu do casal Canto, sendo um dos raros exemplos do neo-gótico em Portugal. O Vale dos Fetos onde se desenvolve uma rede de veredas empedradas com calhau rolado, conduzem a largos de onde se vêm os fetos arbóreos, as palmeiras e os bambus. Fazem parte do projecto o antigo pavilhão dos barcos (modelo de arquitectura anglo-flamenga), junto à água, e o chalé ao estilo franco-suíço de arquitectura pitoresca (Albergaria, 2005).

Informação administrativa

Estatuto: Privado

Classificação: A capela de Nossa Senhora das Vitórias é classificada como Imóvel de Interesse Público (IIP)

Instrumento legal:Resolução n.º 56/2001 de 17 de Maio - Classifica como imóvel de interesse público, a Capela de Nossa Senhora das Vitórias, sita na Lagoa das Furnas, concelho da Povoação, ilha de São Miguel(Ver Decreto)

Superfície: 120 ha (10ha de mata ajardinada)

Botanica

Características botânicas notáveis: Património botânico diversificado e predominantemente arbóreo destacando-se os exemplares - Araucária (Araucaria heterophylla), Sequóia (Sequoia sempervirens), Azinheira (Quercus rotundifolia), Palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), Nogueira do Cáucaso (Pterocarya faxinifolia), Pandanus utilis, Podocarpus totara, Feto-arbóreo (ex.:Dicksonia squarrosa), Feto-craca (Angiopteris evecta) , o raro Spiny tree fem (Cyathea spinulosa) e algumas cultivares de camélias como a 'Mathotiana Rubra'.

Principais espécies botânicas presentes:Abies sp., Acacia melanoxylon, Acer sp., Acmena ingens, Aesculus hippocastanum, Aesculus x carnea, Afrocarpus falcatus, Alnus glutinosa, Angiopteris evecta, Araucaria sp., Archontophoenix sp., Banksia integrifolia, Butia capitata, Camellia sp., Castanea sativa, Castanospermum australe, Cercis siliquastrum, Chamaecyparis sp., Clethra arborea, Cordyline australis, Corymbia ficifolia, Cryptomeria japonica, Cupressus sp., Cycas revoluta, Dracaena draco, Eucalyptus sp., Fagus sylvatica, Frangula azorica, Fraxinus ornus, Ginkgo biloba, Gunnera tinctoria, Halleria lucida, Jacaranda acutifólia, Juglans nigra, Juniperus sp., Laurus azorica, Liquidambar styraciflua, Liriodendron tulipifera, Lithocarpus edulis, Livistona australis, Magnolia grandiflora, Malus domestica, Melaleuca viridiflora, Metrosideros umbellata, Morella faya, Musa ensete, Phoenixsp., Phyllarthron bernierianum, Picconia azorica, Pinus sp., Pittosporum sp., Platanus sp., Podocarpus sp., Populus sp., Prunus azorica, Pseudotsuga menziesii, Psidium littorale, Pterocarya fraxinifolia, Quercus sp., Rhopalostylis sapida, Rhododendron sp., Roupala brasiliensis, Salix babylonica, Sequoia sempervirens, Syzygium paniculatum, Taxodium distichum, Thuja sp., Tilia cordata, Trachycarpus fortunei, Ulmus minor, Waterhousea floribunda

Fisiografia topográfica

Cotas altimétricas: de 280m a 330m

Presença de água: sim. A propriedade localiza-se na margem da Lagoa das Furnas. Ribeira do Salto do Rosal. Cascata Salto do Rosal. Nascente do Torninho.

Pedología

Tipo de solo: vulcânico com características arenosas

Substrato litológico:à base de areias pomos

Clima

(Dados do Instituro Português do Mar e da Atmosfera - Normais Climatológicas 1981-2010, Ponta Delgada)

Tipo de clima: Cfb clima temperado marítimo, clima temperado húmido com Verão temperado (Classificação de Koppen)

Temperatura:

- Temperatura máxima mensal: a mais elevada, 25.3 ºC (em agosto); a menos elevada, 16.6 ºC (em fevereiro)

- Temperatura média mensal: a mais elevada, 22.1 ºC (em agosto); a menos elevada, 14.1 ºC (em fevereiro)

- Temperatura mínima mensal: a mais elevada, 19 ºC (em agosto); a menos elevada, 11.5 ºC (em fevereiro)

- Temperatura média anual: 17.4 ºC

Precipitação: 986 mm (precipitação total média anual)

Área de notas

Biodiversidade:Avifauna - canário-da-terra (Serinus canaria), estorninho dos Açores (Sturnus vulgaris granti), ferfolha ou estrelinha (Regulus regulus R.r. azoricus), galinhas-da-madeira, lavandeira ou alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea patriciae), melro-negro (Turdus merula azorensis), milhafre (Buteo buteo rothschildi), patos, pavão, pardal-comum (Passer domesticus), pintassilgo (Carduelis carduelis), pombo-torcaz dos Açores (Columba palumbus azorica), priolo (Pyrrhula murina), vinagreira (Erithacus rubecula), tentilhão dos Açores (Fringilla coelebs moreletti), toutinegra dos Açores (Sylvia atricapilla atlantis). Mamíferos: sazonalmente coelhos.

Intrusões cénicas presentes na envolvente

Autoestrada:não

Estrada:sim

Via de caminho de ferro: não

Outras infraestruturas: não

Exploração agrícola poluente: não

Indústria: não

Central de produção de energia: não

Fauna: sim

Actividades e eventos

Actividades: visitas guiadas temáticas pontualmente, Peddy-paper com diferentes escalões etários, entre outras em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia e Escuteiros.

Eventos: exposição anual de Camélias antigas nos meses de Fevereiro ou Março.

Bibliografia

ALBERGARIA, Isabel Soares. Parques e Jardins dos Açores Lisboa: Argumentum,2005

ALBERGARIA, Isabel S., PORTEIRO, João. A dimensão cultural das paisagens dos Açores. O contributo dos jardins históricos para a afirmação do turismo sustentável na Região, XV Coloquio Ibérico de Geografía. Retos y tendencias de la Geografía Ibérica. Murcia, 2016.

CASTEL-BRANCO, Cristina.Jardins de Portugal Lisboa: CTT 2014

MATA JOSÉ DO CANTO. Mata José do Canto. [Internet] [Consultado a 17 dez 2014] Disponível em: <http://www.matajosedocanto.com>

Documentos iconográficos

Características do parque/jardim

Tipologia de jardim : Arboreto

Elementos decorativos : Curso de água, Cascata, Edifício

Elementos vegetais : Árvores notáveis, Árvores de fruto, Arbustos

Estatuto : Privado

Abertura ao público : Bilhete de entrada

WC : não

Classificado : Nenhuma classificação

Mobilidade reduzida : limitado